O que são as Glândulas de Skene

O que são as Glândulas de Skene? (também chamadas de “próstata feminina”)

As glândulas de Skene são pequenas glândulas parauretrais localizadas na parede anterior da vagina, ao redor da parte final da uretra. Em alguns estudos e publicações médicas, você também verá o termo “próstata feminina” porque elas compartilham semelhanças anatômicas e funcionais com a próstata masculina, como a capacidade de produzir PSA (antígeno prostático específico) e fosfatase ácida.

Apesar de minúsculas, essas glândulas participam da saúde urogenital: secretam fluidos que ajudam a proteger a uretra, favorecer certa lubrificação do orifício urinário e podem estar envolvidas em parte dos fenômenos popularmente chamados de ejaculação feminina.

Importante: cada corpo é único. Nem todas as pessoas com vulva percebem secreções vindas dessas glândulas, e isso não indica problema.


Onde ficam exatamente?

  • Localização: no tecido que circunda a uretra distal (perto da saída da urina), no “teto” vaginal, atrás do osso púbico.

  • Ductos de drenagem: se abrem na uretra ou bem ao lado do meato urinário.

  • Tamanho: variam de microscópicas a alguns milímetros; às vezes formam pequenos ductos visíveis em exames de imagem de alta resolução.


Para que servem?

As funções mais aceitas hoje incluem:

  1. Proteção da uretra: o fluido secretado ajuda a “lavar” e proteger a região periuretral, colaborando com a defesa local.

  2. Lubrificação uretral/meato: contribui com a umidade ao redor da saída da urina, especialmente durante estímulos que aumentam o fluxo sanguíneo na área.

  3. Produção de marcadores prostáticos: diversas pesquisas detectam PSA e fosfatase ácida nas secreções, reforçando a analogia com a próstata.

  4. Participação em respostas sexuais: em algumas pessoas, o estímulo da parede anterior vaginal/uretral pode levar à liberação de fluido pelas glândulas de Skene. Essa liberação não é urina (embora, em outras situações, possa haver também liberação de urina por reflexo vesical). Há variação entre indivíduos.


Skene x “ponto G”: são a mesma coisa?

  • Não são sinônimos. “Ponto G” é um termo popular, não anatômico, para descrever uma zona de sensibilidade na parede anterior vaginal.

  • Essa região inclui plexos vasculares, tecido periuretral, glândulas de Skene e terminações nervosas. Em algumas pessoas, o estímulo local coincide com secreções de Skene; em outras, não.

  • A ciência ainda debate nomenclaturas e mecanismos. O consenso atual: há grande variabilidade individual.


O que é “ejaculação feminina”?

O termo é usado para descrever expulsão de fluido pela uretra durante a excitação sexual ou o orgasmo. Estudos distinguem dois fenômenos:

  • Secreção de Skene (ejaculado): pequena a moderada quantidade, leitosa/transparente, com traços de PSA; costuma ter odor neutro e não é urina.

  • “Squirt” (jato abundante): em algumas pessoas, exames sugerem aumento de volume vesical e liberação de urina diluída durante estímulo intenso; em outras, há mistura de urina com secreções das glândulas de Skene.
    Moral da história:variação natural. Nenhuma resposta é “obrigatória” e não existe desempenho ideal.

Como este é um site educativo, não descrevemos técnicas sexuais. Nosso foco é anatomia, saúde e redução de tabus.


Podem dar problemas?

Sim, como qualquer glândula. Os principais quadros:

1) Cisto de glândula de Skene

  • Ocorre quando o ducto entope e acumula secreção.

  • Sinais: caroço pequeno e elástico perto da uretra, possível desconforto em sentar ou ao urinar, às vezes dor em relação sexual.

  • Tratamento: desde observação (cistos pequenos e assintomáticos) até drenagem/remoção ambulatorial.

2) Skenite (infecção/inflamação)

  • Sinais: ardor ao urinar, dor local, sensibilidade à palpação, corrimento uretral diferente, febre em casos mais intensos.

  • Causas: bactérias comuns do trato urogenital; pode coexistir com infecção urinária.

  • Tratamento: avaliação médica, cultura quando indicada e antibiótico conforme o agente.

3) Dor pélvica crônica/periuretral

  • Em algumas pessoas, as glândulas e o tecido periuretral ficam doloridos por hipersensibilidade local, tensão do assoalho pélvico ou inflamação recorrente.

  • Caminho de cuidado: ginecologia/urologia + fisioterapia pélvica; às vezes psicoterapia focada em dor crônica.

Raríssimo: tumores nas glândulas de Skene existem, mas são incomuns. Sintomas persistentes merecem investigação.


Quando procurar um(a) médico(a)?

  • Dor, ardor ou sangramento ao urinar que não melhora.

  • Caroço persistente perto do meato urinário.

  • Febre, mal-estar, secreção com odor forte ou mudança súbita de cor/quantidade.

  • Dor pélvica ou desconforto durante exames/contato que se repete.

Especialidades úteis: ginecologia, urologia (urologia feminina), fisioterapia pélvica. Em casos complexos, serviços de dor pélvica crônica.


Exames e diagnóstico

  • Exame físico cuidadoso geralmente é o primeiro e mais importante passo.

  • Urocultura quando há sintomas urinários.

  • Ultrassom pélvico ou ressonância podem ajudar a visualizar cistos/ductos quando necessário.

  • PSA no fluido pode ser dosado em estudos, mas não é exame de rotina.


Cuidados práticos e prevenção

  • Higiene suave: água morna; evite duchas internas e produtos agressivos.

  • Lubrificação adequada: em atividades íntimas, reduz microtraumas locais (use produtos à base de água ou silicone; evite fragrâncias).

  • Urinar após a relação pode ajudar a “lavar” a uretra e reduzir risco de infecção urinária em pessoas predispostas.

  • Atenção a desconfortos recorrentes: quanto antes checar, mais simples costuma ser o tratamento.


Mitos comuns (e a realidade)

  • “Se não ‘ejaculo’, tenho algo errado.” Falso. Há ampla variação. Ausência de secreção não indica doença.

  • Ejaculação feminina é sempre urina.” Falso. Há casos de secreção de Skene, casos de urina diluída e casos mistos.

  • “As glândulas de Skene são inúteis.” Falso. Elas protegem e umidificam a região periuretral e podem participar de respostas sexuais.


Perguntas rápidas

As glândulas de Skene são a mesma coisa que clitóris?
Não. O clitóris é um órgão erétil com glande, corpo e ramos crurais; as glândulas de Skene são estruturas secretoras parauretrais. Ficam próximas, mas são diferentes.

Posso “ver” minhas glândulas?
Normalmente não; são internas e pequenas. Profissionais podem palpar/visualizar ductos em exame.

Podem aumentar com estímulo?
Os ductos podem ficar mais proeminentes pelo aumento do fluxo sanguíneo local, mas não há “crescimento” permanente por estímulo.

Antibiótico sempre é necessário em dor periuretral?
Não. Antibióticos só quando há sinais de infecção. Dor sem infecção pode ter outras abordagens (fisioterapia pélvica, medidas locais, analgesia).


Resumo para levar

  • Glândulas de Skene = glândulas parauretrais que ajudam a proteger a uretra, umidificar o meato e, em algumas pessoas, participam de secreções durante respostas sexuais.

  • Variabilidade é a regra: nem toda pessoa percebe secreções.

  • Problemas existem, mas são tratáveis (cistos, infecções, dor pélvica). Procure assistência se houver dor, caroço, secreção anormal ou febre.

  • Informação clara reduz tabu e ajuda você a cuidar da própria saúde com mais tranquilidade.