As glândulas de Skene são pequenas glândulas parauretrais localizadas na parede anterior da vagina, ao redor da parte final da uretra. Em alguns estudos e publicações médicas, você também verá o termo “próstata feminina” porque elas compartilham semelhanças anatômicas e funcionais com a próstata masculina, como a capacidade de produzir PSA (antígeno prostático específico) e fosfatase ácida.
Apesar de minúsculas, essas glândulas participam da saúde urogenital: secretam fluidos que ajudam a proteger a uretra, favorecer certa lubrificação do orifício urinário e podem estar envolvidas em parte dos fenômenos popularmente chamados de “ejaculação feminina”.
Importante: cada corpo é único. Nem todas as pessoas com vulva percebem secreções vindas dessas glândulas, e isso não indica problema.
Onde ficam exatamente?
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Localização: no tecido que circunda a uretra distal (perto da saída da urina), no “teto” vaginal, atrás do osso púbico.
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Ductos de drenagem: se abrem na uretra ou bem ao lado do meato urinário.
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Tamanho: variam de microscópicas a alguns milímetros; às vezes formam pequenos ductos visíveis em exames de imagem de alta resolução.
Para que servem?
As funções mais aceitas hoje incluem:
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Proteção da uretra: o fluido secretado ajuda a “lavar” e proteger a região periuretral, colaborando com a defesa local.
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Lubrificação uretral/meato: contribui com a umidade ao redor da saída da urina, especialmente durante estímulos que aumentam o fluxo sanguíneo na área.
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Produção de marcadores prostáticos: diversas pesquisas detectam PSA e fosfatase ácida nas secreções, reforçando a analogia com a próstata.
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Participação em respostas sexuais: em algumas pessoas, o estímulo da parede anterior vaginal/uretral pode levar à liberação de fluido pelas glândulas de Skene. Essa liberação não é urina (embora, em outras situações, possa haver também liberação de urina por reflexo vesical). Há variação entre indivíduos.
Skene x “ponto G”: são a mesma coisa?
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Não são sinônimos. “Ponto G” é um termo popular, não anatômico, para descrever uma zona de sensibilidade na parede anterior vaginal.
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Essa região inclui plexos vasculares, tecido periuretral, glândulas de Skene e terminações nervosas. Em algumas pessoas, o estímulo local coincide com secreções de Skene; em outras, não.
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A ciência ainda debate nomenclaturas e mecanismos. O consenso atual: há grande variabilidade individual.
O que é “ejaculação feminina”?
O termo é usado para descrever expulsão de fluido pela uretra durante a excitação sexual ou o orgasmo. Estudos distinguem dois fenômenos:
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Secreção de Skene (ejaculado): pequena a moderada quantidade, leitosa/transparente, com traços de PSA; costuma ter odor neutro e não é urina.
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“Squirt” (jato abundante): em algumas pessoas, exames sugerem aumento de volume vesical e liberação de urina diluída durante estímulo intenso; em outras, há mistura de urina com secreções das glândulas de Skene.
Moral da história: há variação natural. Nenhuma resposta é “obrigatória” e não existe desempenho ideal.
Como este é um site educativo, não descrevemos técnicas sexuais. Nosso foco é anatomia, saúde e redução de tabus.
Podem dar problemas?
Sim, como qualquer glândula. Os principais quadros:
1) Cisto de glândula de Skene
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Ocorre quando o ducto entope e acumula secreção.
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Sinais: caroço pequeno e elástico perto da uretra, possível desconforto em sentar ou ao urinar, às vezes dor em relação sexual.
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Tratamento: desde observação (cistos pequenos e assintomáticos) até drenagem/remoção ambulatorial.
2) Skenite (infecção/inflamação)
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Sinais: ardor ao urinar, dor local, sensibilidade à palpação, corrimento uretral diferente, febre em casos mais intensos.
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Causas: bactérias comuns do trato urogenital; pode coexistir com infecção urinária.
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Tratamento: avaliação médica, cultura quando indicada e antibiótico conforme o agente.
3) Dor pélvica crônica/periuretral
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Em algumas pessoas, as glândulas e o tecido periuretral ficam doloridos por hipersensibilidade local, tensão do assoalho pélvico ou inflamação recorrente.
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Caminho de cuidado: ginecologia/urologia + fisioterapia pélvica; às vezes psicoterapia focada em dor crônica.
Raríssimo: tumores nas glândulas de Skene existem, mas são incomuns. Sintomas persistentes merecem investigação.
Quando procurar um(a) médico(a)?
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Dor, ardor ou sangramento ao urinar que não melhora.
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Caroço persistente perto do meato urinário.
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Febre, mal-estar, secreção com odor forte ou mudança súbita de cor/quantidade.
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Dor pélvica ou desconforto durante exames/contato que se repete.
Especialidades úteis: ginecologia, urologia (urologia feminina), fisioterapia pélvica. Em casos complexos, serviços de dor pélvica crônica.
Exames e diagnóstico
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Exame físico cuidadoso geralmente é o primeiro e mais importante passo.
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Urocultura quando há sintomas urinários.
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Ultrassom pélvico ou ressonância podem ajudar a visualizar cistos/ductos quando necessário.
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PSA no fluido pode ser dosado em estudos, mas não é exame de rotina.
Cuidados práticos e prevenção
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Higiene suave: água morna; evite duchas internas e produtos agressivos.
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Lubrificação adequada: em atividades íntimas, reduz microtraumas locais (use produtos à base de água ou silicone; evite fragrâncias).
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Urinar após a relação pode ajudar a “lavar” a uretra e reduzir risco de infecção urinária em pessoas predispostas.
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Atenção a desconfortos recorrentes: quanto antes checar, mais simples costuma ser o tratamento.
Mitos comuns (e a realidade)
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“Se não ‘ejaculo’, tenho algo errado.” Falso. Há ampla variação. Ausência de secreção não indica doença.
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“Ejaculação feminina é sempre urina.” Falso. Há casos de secreção de Skene, casos de urina diluída e casos mistos.
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“As glândulas de Skene são inúteis.” Falso. Elas protegem e umidificam a região periuretral e podem participar de respostas sexuais.
Perguntas rápidas
As glândulas de Skene são a mesma coisa que clitóris?
Não. O clitóris é um órgão erétil com glande, corpo e ramos crurais; as glândulas de Skene são estruturas secretoras parauretrais. Ficam próximas, mas são diferentes.
Posso “ver” minhas glândulas?
Normalmente não; são internas e pequenas. Profissionais podem palpar/visualizar ductos em exame.
Podem aumentar com estímulo?
Os ductos podem ficar mais proeminentes pelo aumento do fluxo sanguíneo local, mas não há “crescimento” permanente por estímulo.
Antibiótico sempre é necessário em dor periuretral?
Não. Antibióticos só quando há sinais de infecção. Dor sem infecção pode ter outras abordagens (fisioterapia pélvica, medidas locais, analgesia).
Resumo para levar
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Glândulas de Skene = glândulas parauretrais que ajudam a proteger a uretra, umidificar o meato e, em algumas pessoas, participam de secreções durante respostas sexuais.
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Variabilidade é a regra: nem toda pessoa percebe secreções.
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Problemas existem, mas são tratáveis (cistos, infecções, dor pélvica). Procure assistência se houver dor, caroço, secreção anormal ou febre.
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Informação clara reduz tabu e ajuda você a cuidar da própria saúde com mais tranquilidade.
